Chega uma hora que não dá mais. Você se cansa de tanto dar chances, de tanto esperar mudanças, de tanto aceitar o gênio difícil e os demônios interiores da outra pessoa. Você foi compreensiva, você lutou pra ficarem juntos, fez sacrifícios, explicou pra sua família que aquela pessoa era assim "porque já sofreu muito", você adiou seus planos, você anulou sua identidade. Pra quê? Pra essa pessoa continuar se comportando como sempre se comportou, cultivando todas as manias e hábitos que sempre teve, como se estivesse cega e surda em relação às suas expectativas e vontades. Essa ingrata pessoa ousou continuar sendo quem era, mesmo você tendo deixado de ser quem é pra dar o exemplo de como estar num bom relacionamento, um relacionamento perfeito, um relacionamento de ilusão.
O que você veria se pudesse olhar essa pessoa com outros olhos? Se você pudesse perceber ali, escancarados na sua frente todos os indícios de que essa pessoa nunca pretendeu abrir mão de si mesma? Se você pudesse enxergar todas as chances que essa pessoa te deu de aceitá-la por inteiro, e amá-la simplesmente pelo que era e não através da lente das suas expectativas irreais? E se você percebesse, finalmente, que fez sacrifícios porque quis, que não foram solicitados e nem tinham garantia de resultado? Se você começasse a se responsabilizar por suas escolhas e relacionamentos?
Ninguém precisa justificar quem é pra ninguém. Quando tentamos justificar a nós mesmos ou aos outros isso é como uma confissão de dívida. "Eu sei que deveria ser de outro jeito, mas sou assim porque...". Ninguém deve ser nada além do que já é. O crescimento e a evolução não se dão pela supressão ou negação de partes "feias" ou sombrias da nossa personalidade, mas pela consciência e compreensão de cada uma das forças que nos levam a ser quem somos e o domínio sobre elas. Você não precisa tentar esconder sua raiva e agressividade, você precisa estar consciente das situações que te levam a explodir, e aprender a direcionar essas emoções de forma mais construtiva. Você vai evoluindo conforme aprende a integrar todas as as suas partes, aos poucos suas emoções vão se harmonizando e você consegue expressá-las de uma maneira mais consciente. É um aprendizado contínuo, e leva tempo, provavelmente a vida toda.
A simples compreensão disso já nos impede de julgar uma pessoa como boa ou ruim baseado nos comportamentos que nós consideramos desejáveis ou não. Porque cada pessoa aprendeu a ser e se comportar conforme as experiências que passou e obviamente não é possível aprender tudo o que se tem para aprender com um conjunto limitado de experiências. Então, quando achamos que podemos "redimir" alguém a partir do nosso amor, não estamos fazendo nada além de acreditar, de maneira arrogante, que sabemos mais que essa pessoa e que temos o poder de salvá-la de si mesma. Porque diabos alguém faria isso com alguém que diz amar?
A simples compreensão disso já nos impede de julgar uma pessoa como boa ou ruim baseado nos comportamentos que nós consideramos desejáveis ou não. Porque cada pessoa aprendeu a ser e se comportar conforme as experiências que passou e obviamente não é possível aprender tudo o que se tem para aprender com um conjunto limitado de experiências. Então, quando achamos que podemos "redimir" alguém a partir do nosso amor, não estamos fazendo nada além de acreditar, de maneira arrogante, que sabemos mais que essa pessoa e que temos o poder de salvá-la de si mesma. Porque diabos alguém faria isso com alguém que diz amar?
O relacionamento idealizado parte de parâmetros pré-estabelecidos unilateralmente. Então você junta todas as coisas que quer viver numa relação, associa essas situações às qualidades de um provável parceiro, e tem um perfil pronto, no qual, via de regra, não constam vulnerabilidades. Vulnerabilidade são fraquezas, então tentamos a todo custo evitá-las, começando por nós mesmos. Apego, ciúmes, agressividade, vícios, dúvidas, inseguranças, tudo vai para a lista do que não devemos expressar em nenhuma hipótese. E que não suportamos no outro, embora na maioria das vezes nossa tendência seja estimular essas vulnerabilidades, porque inconscientemente nos identificamos com elas, e assim as tonamos muito mais evidentes em nós mesmos. Isso leva o relacionamento pra uma espiral destrutiva, onde o companheirismo e a alegria são substituídos pelo apego e pela dependência. Vamos nos viciando no sofrimento, e com o tempo passamos a achar que somos a dor. Difícil demais!
A grande sacada é ficar na realidade e parar de contar historinhas pra nós mesmos. Falar o que se sente e ouvir o que é dito, com o acordo explícito de voltar a conversar caso alguma coisa mude, caso os acordos já não sirvam mais e precisem ser revistos. Perceber que a outra pessoa tem as próprias dores pra lidar e não sobrecarregá-la com as nossas. Entender os próprios limites e não querer cuidar da dor do outro. Julgar menos, acolher mais. Amar. Parece incoerente dizer que devemos amar nossos parceiros, ainda mais quando as redes sociais estão repletas de fotos fofas e declarações de amor aos quatro ventos. Mas amor é mais que isso.
O amor é, por natureza, incondicional, e só é dado por quem já se preencheu com ele. Se preencher de amor é aceitar-se, o que só é possível através do auto conhecimento e do auto perdão. Quando não integramos nossa luz e nossa sombra, aquilo que gostamos de mostrar ao mundo e aquilo que tentamos desesperadamente esconder, nós nos consideramos indignos de amor. Fazemos isso o tempo todo: quando eu tiver aquele corpo sarado, quando eu tiver dinheiro, quando eu conseguir aquele emprego que me dê status, etc. Condicionamos o amor por nós mesmos a algo que vai acontecer, nós nunca achamos que estamos prontos, nós nunca relaxamos. Esse mar de expectativas que criamos acerca de nós e que nos protegem de ser amados é o que destrói nossas relações. "Eu te quero (e não queres) como sou / Não te quero (e não queres) como és", canta Caetano, retratando a lógica das nossas relações doentes. Mas o que realmente queremos, e principalmente, por que queremos é o que deveria ser a questão.
Nossa essência é pacífica e amorosa, mas nossa mente é muito suscetível a ilusões. Nos esquecemos que já nascemos merecedores de amor, e muitos passam uma vida "lutando" por amor, e "buscando" a felicidade. Transformamos nossas relações em campos de batalha, somos mesquinhos em relação ao afeto e nos viciamos no sofrimento. Lembrar-nos de quem somos, sem o peso das expectativas é só o que torna possível aceitarmos o outro exatamente como é, sem frustrações. Fincar o pé na realidade, com amorosidade. Transitar com leveza entre os momentos e situações. Perdoar e perdoar-se pelos equívocos, todos estamos sujeitos. Deixar ir, quando necessário.Abri-se para amar e ser amado. E só.
A grande sacada é ficar na realidade e parar de contar historinhas pra nós mesmos. Falar o que se sente e ouvir o que é dito, com o acordo explícito de voltar a conversar caso alguma coisa mude, caso os acordos já não sirvam mais e precisem ser revistos. Perceber que a outra pessoa tem as próprias dores pra lidar e não sobrecarregá-la com as nossas. Entender os próprios limites e não querer cuidar da dor do outro. Julgar menos, acolher mais. Amar. Parece incoerente dizer que devemos amar nossos parceiros, ainda mais quando as redes sociais estão repletas de fotos fofas e declarações de amor aos quatro ventos. Mas amor é mais que isso.
O amor é, por natureza, incondicional, e só é dado por quem já se preencheu com ele. Se preencher de amor é aceitar-se, o que só é possível através do auto conhecimento e do auto perdão. Quando não integramos nossa luz e nossa sombra, aquilo que gostamos de mostrar ao mundo e aquilo que tentamos desesperadamente esconder, nós nos consideramos indignos de amor. Fazemos isso o tempo todo: quando eu tiver aquele corpo sarado, quando eu tiver dinheiro, quando eu conseguir aquele emprego que me dê status, etc. Condicionamos o amor por nós mesmos a algo que vai acontecer, nós nunca achamos que estamos prontos, nós nunca relaxamos. Esse mar de expectativas que criamos acerca de nós e que nos protegem de ser amados é o que destrói nossas relações. "Eu te quero (e não queres) como sou / Não te quero (e não queres) como és", canta Caetano, retratando a lógica das nossas relações doentes. Mas o que realmente queremos, e principalmente, por que queremos é o que deveria ser a questão.
Nossa essência é pacífica e amorosa, mas nossa mente é muito suscetível a ilusões. Nos esquecemos que já nascemos merecedores de amor, e muitos passam uma vida "lutando" por amor, e "buscando" a felicidade. Transformamos nossas relações em campos de batalha, somos mesquinhos em relação ao afeto e nos viciamos no sofrimento. Lembrar-nos de quem somos, sem o peso das expectativas é só o que torna possível aceitarmos o outro exatamente como é, sem frustrações. Fincar o pé na realidade, com amorosidade. Transitar com leveza entre os momentos e situações. Perdoar e perdoar-se pelos equívocos, todos estamos sujeitos. Deixar ir, quando necessário.Abri-se para amar e ser amado. E só.

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