Nos últimos dias surgiram muitas oportunidades de reflexão sobre caminho espiritual e maneiras de colocar em prática aqueles que acreditamos ser os aprendizados mais relevantes para as buscas que fazemos. Em meio a um mar de mistérios, práticas e rituais, a preocupação em fazer o que deve ser feito, da maneira certa, com o apoio dos guias corretos e seguindo as escolas mais elevadas parece ocupar a mente e drenar muito da energia de pessoas que assim como eu procuram uma forma de se conectar com o divino. Olhando para essas questões a partir da minha própria experiência percebo que pode ser proveitoso entender de onde se origina a busca espiritual e o que ela significa para ter clareza sobre pontos que pra muitos de nós são importantes, como carma, reforma íntima e disciplina nas práticas espirituais. O processo de socialização nos distancia, de forma violenta, da nossa essência. Conforme vamos crescendo, vamos gradualmente passando por um processo de rob...
Há alguns meses li esse texto da monja Coen onde ela fala sobre a questão de gênero no budismo. O trecho a seguir me causou uma forte impressão: "Recentemente me contaram que certa ocasião o Dalailama, líder religioso e político do Tibet, em exílio na Índia há mais de 50 anos, pediu a uma monja de sua tradição que liderasse a meditação. Ela, depois que todos se sentaram, começou a falar que gostaria que todos os participantes imaginassem que as imagens de Buda fossem todas femininas, que Dalailama fosse uma mulher, que os digníssimos e veneráveis monjes superiores que o cercam fossem mulheres e que, ao contrário do que estava acontecendo, fossem servidas por homens. Ela continuou contando dos problemas das monjas, das discriminações, da falta de oportunidades de estudo e desenvolvimento. Ao terminar, o Dalailama chorava e pedia perdão. Nunca se conscientizara do problema e se comprometeu a trabalhar para a transformação da posição das mulheres dentro do budismo tibetano...